Sufoco

A história é fictícia. Qualquer semelhança com algum fato é mera coincidência.

Tinha por volta dos doze anos quando o angústia que agora conto se deu. Faço pelo fato de fazer parte de um passado distante e em nada afetará minha vida atual. Mas por anos ficou em segredo onde vivo, sendo o fato conhecido e relatado até hoje na cidadezinha em que fui criado.

Eu era um garoto franzino e travesso. Cursava a quinta série do ensino fundamental (atual sexto ano). Como era cheio de traquinagem não era levado a sério por nenhum professor, aos quais vivia passando pra trás nas minhas “espertezas”. Não era raro fingir estar morrendo de sede, só pra ir tomar um arzinho lá fora. Por vezes, pedia para ir ao banheiro uns cinco minutos antes de bater o sinal e já ficava enrolando na volta pra ir direto pra fila do lanche. Era quase sempre o primeiro.

Isso foi muito bom até o dia mais marcante de minha existência. Um professor experiente nesse tipo de armação e o qual eu já passara pra trás um par de vezes, se negou com firmeza liberar minha ida ao banheiro quando eu disse que o caso era urgente. O problema é que essa vez era verdade! Quando ele disse “não” com a firmeza de quem seria sua ultima palavra, eu gelei. Pensei: tô frito!

Como ainda faltava uns trinta minutos para tocar o sinal do intervalo pensei que podia segurar. Mas, tendo passado dois minutos tinha certeza que isso não representava um pingo da verdade, pois senti o primeiro pingo do que viria a seguir. Minhas pernas instintivamente se cruzaram num gesto de total desespero, meus olhos se recusavam a piscar, num pedido de socorro se arregalaram ao máximo. Senti que minha testa pegava fogo e tive certeza disso quando, parecendo derreter, foi presenteado com duas enormes gotas de suor escorrendo pela face.

O professor ao perceber todo esse indício de realismo no meu sofrimento, meneou a cabeça em direção a porta e eu em uma total sintonia com ele compreendi seu gesto e saí em disparada em direção à porta. No entanto, mal dera cinco longos passos em direção ao banheiro, que por sinal era longe da sala, percebi que um turbilhão se aproximava da via de escape. Não tive tempo de pensar, até por que os neurônios deviam estar preocupados com outras coisas e não com a racionalidade, então, sem mais demora retirei minha ferramenta pra fora e aliviei ali mesmo no pátio da escola em frente aos inspetores que, de queixos caídos, esfregaram os olhos por mais de uma vez para ter certeza de que a visão era real. Mas segundos depois eu era um novo homem. Parei com as gracinhas e comecei a levar o estudo à sério e os três dias de suspensão foram de muita ajuda nessa decisão.

 

Autor: Rondon

Você pode produzir uma pérola?

Estive pensando sobre a expressão de uma colega de profissão há um tempo: “esses alunos me esgotam!” Eu, obviamente concordei. Pois há dias em que nos sentimos esgotados pela irritação de alguns de nossos pupilos. Mas isso me fez pensar no processo de produção e valor de uma PÉROLA.

As pérolas, por incrível que pareça, são o resultado de um corpo estranho que irrita, ao invadir, o interior de uma ostra e que é recoberto com uma camada de carbonato de cálcio pelo molusco  para tentar isolar o “invasor”, assim, surge uma das joias mais antigas e preciosas que existe.

O valor de uma pérola pode ser imensurável. Para se ter uma ideia no apogeu do império Romano, o general Vitellius financiou UM EXÉRCITO INTEIRO vendendo apenas UM dos brincos de pérola de sua mãe.

A pérola que ostenta o recorde de maior gema natural do mundo foi encontrada no interior de uma ostra gigante na costa de Palawan nas Filipinas em 7 de maio de 1934. Para o livro dos recordes, essa é a maior gema natural do planeta, tendo o Instituto de gemas de São Francisco calculado esta pérola em 40 milhões de dólares. Ela pesa 6,4kg e mede 23,8cm

E você pode produzir uma pérola com os “corpos estranhos” que aparecem em seu caminho? É verdade que uma pérola pode levar até 20 anos pra ser produzida, mas irá durar por uns 150 anos ou mais, se bem cuidada.

Eu espero que em pouco tempo a paciência e dedicação que demonstro resulte em ver uma linda pérola brotar nos irritantes corpos estranhos com os quais tenho que lidar diariamente!

Atividades de leitura e compreensão de texto

Leia o texto abaixo e a seguir para responder as questões propostas:

Jean Valjean

O ex-condenado pertencia a uma pobre família camponesa. Quando criança, não aprendeu a ler. Ao crescer, tornou-se podador de árvores. Órfão de pai e mãe, foi criado por uma irmã mais velha, casada e com sete filhos. Quando tinha vinte e cinco anos, a irmã enviuvou. O filho mais velho tinha oito anos, o mais novo um. Jean Valjean tornou-se o arrimo da família. Passou a sustentar a irmã e os sobrinhos com trabalhos grosseiros e mal remunerados. Nunca namorou, nem nunca se soube que estivesse apaixonado.

Vivia para a família. Falava pouco, tinha o semblante pensativo. Quando comia, muitas vezes a irmã tirava o melhor pedaço de seu prato para dar a uma das crianças, e ele sempre permitia. Mas seu trabalho e o da irmã eram insuficientes para sustentar uma família tão grande. A miséria aumentou. Certo ano, em um inverno rigoroso, Jean Valjean não encontrou trabalho. A família ficou sem pão. Sem pão. Exatamente como está escrito. Sete crianças.

Em uma noite de domingo, o padeiro da aldeia ouviu uma pancada na vidraça gradeada. Correu. Chegou a tempo de ver um braço passando por uma abertura feita por um murro na vidraça. O braço pegou um pão. O padeiro perseguiu o ladrão, que tentava fugir. Era Jean Valjean.

Isso aconteceu em 1795.

Por esse crime, foi condenado a cinco anos nas galés. Explica-se: as galés eram barcos movidos a remo. Os grupos de remadores, acorrentados, eram constituídos por prisioneiros condenados. Havia um soldo miserável para cada um deles, guardado até a libertação. Era um trabalho exaustivo, feito somente por condenados. Jean Valjean recebeu grilhões nos pés. Foi acorrentado. […]

No final do quarto ano de condenação, Jean Valjean tentou fugir. Ficou livre dois dias, até ser capturado. Foi condenado a mais três anos. Quando cumpriu seis, tentou outra vez, mas não conseguiu fugir. Resistiu aos guardas que o encontraram em seu esconderijo e ganhou mais cinco anos, com castigos. No décimo ano e no décimo terceiro, quis fugir outras vezes, e sua pena aumentou mais ainda. Até cumprir dezenove anos. Por tentar roubar um pão.

Durante a prisão, o inofensivo podador de árvores tornou-se um homem temível. Tinha ódio da lei e da sociedade. Por consequência, de toda a humanidade. De ano para ano, sua alma foi se tornando amarga. Desde que fora preso, há dezenove anos, Jean Valjean não soltava uma lágrima…

Carrasco, Walcir, 1951 – Os miseráveis – São Paulo: FTD, 2011.

De acordo com o texto, qual informação sobre Jean Valjean está correta:

a. Ele tinha uma irmã que era mãe solteira de sete filhos.

b. Ele era casado e tinha sete filhos que não sabiam ler.

c. Ele foi morar com a irmã depois que ela ficou viúva.

d. Ele não tinha estudo e fazia serviços pesados para sobreviver.

Através da leitura podemos concluir que no começo o personagem descrito era:

a. Uma pessoa extremamente feliz e apaixonada.

b. Uma pessoa inofensiva que só vivia pra trabalhar.

c. Um homem magoado com a vida e divertido.

d. Uma pessoa amarga que odiava a todos.

No trecho: “Jean Valjean tornou-se o arrimo da família”, a palavra destacada tem o sentido de:

a. Pesadelo

b. Tristeza

c. Apoio

d. Colega

De acordo com o texto, por que a vida da família foi se tornando cada vez mais difícil?

a. Seu trabalho e o da irmã eram insuficientes para sustentar uma família tão grande.

b. Jean Valjean não queria mais trabalhar e só vivia triste pelos cantos.

c. Sua irmã desanimou de tudo e abandonou a família deixando ele com as crianças.

d. Muitas vezes a irmã tirava o melhor pedaço de seu prato para dar a uma das crianças

Quando foi que o roubo do pão aconteceu?

a. Numa manhã de inverno em 1975.

b. Em uma noite de domingo em 1795.

c. O texto não menciona a data.

d. Num domingo de manhã de inverno.

A condenação pelo roubo do pão foi de:

a. Doze anos de trabalho forçado.

b. Dezenove anos de prisão perpétua.

c. Cinco anos nas galés acorrentado.

d. Mais cinco anos por tentar fugir.

Marque a alternativa correta que indica o período em que o prisioneiro tentou fugir.

a. No final do quarto ano; quando cumpriu seis anos; no décimo e no décimo primeiro ano.

b. No final do terceiro ano; quando cumpriu oito; no décimo e no décimo nono ano.

c. No final do quarto ano; quando cumpriu seis anos; no décimo ano e no décimo terceiro.

d. No final do terceiro ano; quando cumpriu seis anos; no décimo ano e no décimo terceiro.

 A descrição final do personagem principal revela uma mudança que ocorreu durante a prisão. Qual comparação seria correta fazer?

a. De trabalhador para preguiçoso.

b. De violento para pacífico.

c. De inofensivo para temível.

d. De amargo para doce.

 

Análise do poema “Erro de português”

Erro de português

 

Quando o português chegou
Debaixo de uma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português.

Andrade, O. In: Faraco & Moura. Língua e Literatura. v.3
São Paulo: Ática, 1995. p. 146-147.

O poema faz alusão a um fato histórico do seguinte trecho da Carta de Pero Vaz de Caminha: “Na noite seguinte, ventou tanto sueste, com chuvaceiros, que fez caçar as naus, e especialmente a capitânia”. (Registro do dia 23 de abril, relativamente ao contato entre ameríndios e portugueses na época).

O título pode fazer referência à ideia de que o português chegou aqui por ter errado o caminho das índias.

LITERALMENTE (EXPLÍCITO) COMPREENSÃO

Quer dizer que quando os portugueses descobriram o Brasil, estava chovendo e os índios vendo os portugueses agasalhados, imitaram o figurino, já se os portugueses tivessem chegado num dia de sol, debaixo de um calorão danado, os portugueses é que teriam imitado os índios e tirado as roupas.

IDEOLOGIA (IMPLÍCITO) INTERPRETAÇÃO

No poema de Oswald de Andrade, a oposição entre ‘vestir’ e ‘despir’ sugere a relação de poder entre povo dominante e povo dominado. Nele, percebemos nitidamente uma visão positiva à cultura indígena ou, mais do que isso, há uma perspectiva diferente da portuguesa, do colonizador. O título em si, faz uma alusão irônica à nossa colonização. As condições externas, alheias à nossa vontade, influenciam o que acontece conosco.

Trata de uma relação ao acontecimento colonial brasileiro em que a cultura do branco se sobrepôs à cultura do indígena, devido às circunstâncias daquele momento histórico.

Atividades gênero entrevista

Entrevista com o cantor Gustavo Mioto

O cantor Gustavo Mioto já começou o ano bem com o lançamento de 3 da Manhã e, agora, o videoclipe da música com a blogueira Flavia Pavanelli. No clipe, Gustavo e Flavia fazem um par romântico que foi separado pelo destino e que matam a saudade durante longas conversas por telefone, até que um dia ela não atende mais as ligações.

No bate-papo a seguir, ele relembra o começo da carreira, alguns sucessos e muito mais! Vem ler!

  1. Ana Castilho: Seus primeiros acordes no violão saíram quando você tinha apenas 6 anos.

Como você aprendeu a tocar violão?

Gustavo Mioto: Fui aprendendo na curiosidade, dedilhando sozinho e depois fiz algumas aulas. É fácil quando é uma coisa que você se identifica, tudo fica mais fácil.

  1. AC: Como foi produzir este clipe com a blogueira Flavia Pavanelli? Muito difícil? Animador?

GM: Foi incrível, já conhecia a Flavia há um tempo e, como surgiu essa oportunidade de gravar um novo videoclipe, logo pensamos nela. Ela é uma ótima profissional e tem exatamente o perfil que estamos querendo para esse novo trabalho. Foi maravilhoso com tudo pensado nos mínimos detalhes. Espero que todos gostem!

  1. AC: Você mesmo compõe suas canções. Como rola esse processo? Você vive algo e já pensa que daria uma boa música?

GM: Comecei a escrever letras aos 13 anos, quando tive minha primeira desilusão amorosa. O primeiro CD foi todo baseado nesse primeiro amor que me trouxe muita inspiração. Desilusões sempre são mais inspiradoras (risos).

  1. AC: Sua música com a Cláudia Leitte, Eu Gosto de Você, foi um sucesso. Se pudesse fazer uma parceria musical com mais alguém, quem seria?

GM: Acho que o sonho de todo cantor é dividir o palco ou fazer uma parceria com o Roberto Carlos, realmente seria um grande sonho.

  1. AC: _______________________________________ (veja a questão 7)

GM: Acho que trabalhar bastante e levar minha música para mais e mais pessoas.

Disponível em: http://todateen.uol.com.br/fun-musica/entrevista-com-o-cantor-gustavo-mioto/ > Acesso em: 04/04/2016.

De acordo com a entrevista, responda.

Qual afirmativa está correta? 

  1. O cantor não toca nenhum instrumento musical.
  2. Ele toca guitarra, mas não tem muita habilidade.
  3. Canta sempre só, pois não consegue formar parcerias.
  4. Aprendeu tocar violão por curiosidade.

Quanto às canções do entrevistado: 

  1.  Ele compra de compositores famosos e as grava.
  2. Ele apenas regrava canções antigas com um novo ritmo.
  3. Ele compõe desde adolescente baseado nas suas experiências amorosas.
  4. Ele busca inspiração nos fenômenos da natureza pra gravar.

De acordo com a última resposta, qual pergunta foi feita? (1,0)

  1. Você gostou da parceria com a Flavia Pavanelli?
  2. Você está a quanto tempo na estrada musical?
  3. Quais são seus planos e expectativas para o futuro?
  4. Você mesmo compõe suas canções. Como rola esse processo?

Atividades – gênero notícia

Leia a notícia abaixo para responder as questões da avaliação.

 Estagiária morre atropelada enquanto fazia reportagem sobre acidente

Acidente foi na BR-153, em São José do Rio Preto (SP). Jovem de 20 anos estava no último ano de faculdade.

Uma estudante de jornalismo de 20 anos morreu atropelada na rodovia BR-153, na manhã desta quinta-feira (7), em São José do Rio Preto (SP). Laura Karan Jacob era estagiária do jornal “Diário da Região” desde o começo do ano e foi atingida por uma carreta enquanto cobria o acidente entre dois caminhões que interditou a rodovia por três horas durante a madrugada.

De acordo com informações da polícia, o motorista do caminhão, que estava carregado com cerca de 40 toneladas de farelo de soja, disse que não teve tempo de frear nem desviar da jovem, atingida enquanto atravessava a rodovia.

No momento do acidente ainda havia pessoas saqueando a carga de um dos caminhões envolvidos no acidente da madrugada. A polícia diz que a movimentação na pista pode ter contribuído para o atropelamento.

O corpo será levado para o Instituto Médico Legal (IML) e ainda não há informações sobre horário de velório e enterro.

O jornal divulgou uma nota lamentando o acidente ocorrido nesta quinta-feira, quando é comemorado o Dia do Jornalista. Confira a íntegra:

É com profundo pesar que o Grupo Diário da Região informa que faleceu hoje, 7 de abril de 2016, a colaboradora Laura Karan Jacob, 20 anos, estagiária de jornalismo, vítima de acidente automobilístico nesta manhã, na rodovia Transbrasiliana (BR-153), no trecho urbano de São José do Rio Preto.

Laura, que era estudante do 4º ano de jornalismo da faculdade Unirp, de São José do Rio Preto, estava no local para coletar informações a respeito de outro acidente, ocorrido no mesmo ponto da estrada. O Grupo Diário da Região lamenta a fatalidade e está prestando toda a assistência aos familiares.

A sede regional do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo diz que emitirá uma nota de pesar e vai apurar o fato da estagiária estar no local do acidente.

FONTE: http://g1.globo.com/sao-paulo/sao-jose-do-rio-preto-aracatuba/noticia/2016/04/estagiaria-morre-atropelada-enquanto-fazia-reportagem-sobre-acidente.html.

 

  1. Quanto à estrutura da notícia, relacione as colunas: 
(   )   O título auxiliar

 

(   )   O lide

 

(  )  A manchete ou título principal

 

(   )   Corpo da notícia

 

1.   Nela, há um detalhamento maior dos fatos, de modo a destacar os detalhes mais importantes, fundamentais à compreensão do interlocutor.

2.     Nesta parte precisamos encontrar todas as informações necessárias para responder às seguintes perguntas: Onde aconteceu o fato? Com quem? O que aconteceu? Quando? Como? Por quê? Qual foi o assunto?

3.     Sua função é complementar o título principal, acrescentando-lhe apenas algumas informações a mais.

4.     Costuma ser composto de frases pequenas e atrativas, e revela o assunto principal que será retratado em seguida.

  • De acordo com o lide da notícia, a estagiária:
  1. Foi atropelada atravessando a rodovia fora da faixa de pedestre.
  2. Estava em um dos caminhões envolvidos no acidente.
  3. Foi a causadora do acidente, já que distraiu os motoristas.
  4. Foi atingida por uma carreta enquanto cobria o acidente.
  • Para a polícia:
  1. A estagiária estava entre os que saqueavam a carga do caminhão.
  2. O motorista do caminhão disse que não teve tempo de frear nem desviar da jovem.
  3. O corpo não será levado para o Instituto Médico Legal.
  4. Todo estagiário deve estar acompanhado de um profissional habilitado.
  • Sabendo que o lide responde as perguntas, O QUÊ? (o que aconteceu, está ou vai acontecer); QUEM? (os agentes da ação); QUANDO? (dia da semana e do mês, horas), ONDE? (o local do acontecimento), COMO? (as circunstâncias), POR QUÊ? (os motivos e as razões), responda as seguintes perguntas quanto à notícia acima: 

O que aconteceu?____________________________________________

Com quem?_________________________________________________

Quando?___________________________________________________

Onde?____________________________________________________

Como?____________________________________________________

Por quê?____________________________________________________

 

Créditos:https://wordpress.com/post/eraciobacca.wordpress.com/686

Palhaçada…

Certa vez um amigo, palhaço de profissão, disse que o circo era a sua vida. Hoje eu acredito que, na verdade, a vida é que é um grande circo. Nosso dia a dia é repleto de desafios e alegrias, como a vida circense. E quantos desafios! E muitas alegrias.

O motivo de lembrar-me disso, é que quero compartilhar uma “aventura”, que outro amigo meu vivenciou. Ele não era, naturalmente, um “palhaço”, era até sério, mas vivia fazendo graça. Como trabalhava viajando frequentemente, e a estrada, invariavelmente, é cansativa, ele vivia criando oportunidades para quebrar o tédio do trajeto.

Nessa ocasião ele viajava com outro amigo, não menos, extrovertido. Contam que num determinado trecho da estrada o carro deles, em alta velocidade, ultrapassava outro que ia no mesmo sentido, em baixa velocidade. Nesse, um senhor sério e de certa idade. Ao fazer a passagem, como era o amigo que dirigia ele, do nada, resolveu despertar seu lado “palhaço” e, do modo mais sensual possível, mandou um longo beijo para o senhor que, nesse instante, arregalou os olhos para ver se era verdade o que via.

Na confiança de que nunca mais veria o cavalheiro do carro ao lado, ele nem ficou vermelho com a brincadeira de criança, mesmo sendo um homem barbado.

Qual não foi sua surpresa, quando o colega, motorista, mais palhaço ainda, diminuiu a velocidade e emparelhou o carro com o do homem. Esse amigo conta, dando risada, que não sabia onde colocar a cara e, como uma criança tímida, foi encolhendo o corpo até sumir no banco do carona. Dou risada até hoje quando lembro.